Universitária de Cafeara desenvolveu peça capaz de reduzir o
desperdício de espigas de milho no processo de colheita
No pequeno município de Cafeara, a pouco mais de 100
quilômetros de Londrina, uma estudante universitária de 20 anos prova que
ideias simples, mas eficientes, têm poder para auxiliar o milionário mundo do
agronegócio, principalmente quando se trata dos pequenos produtores.
Valéria Turozi Lazaretti, que está no último ano do curso de
Tecnologia em Agronegócio na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em
Presidente Prudente (SP), desenvolveu uma peça capaz de reduzir a perda de
espigas de milho no processo de colheita, quando acoplada em plataformas mais
antigas de um modelo e marca específicos.
O detalhe é que os resultados em campo foram tão
significativos que o trabalho da aluna foi apresentado na Conferência Internacional
de Segurança Alimentar, realizada em Ithaca, no estado de Nova Iorque, nos
Estados Unidos.
O evento, que aconteceu em meados de outubro, é vinculado à
Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
A peça desenvolvida pela aluna, que gerou toda essa
repercussão, é prova que tanto no País como no mundo as perdas na colheita de
grãos ainda são preocupantes, mesmo com toda a tecnologia aplicada em novos
maquinários.
No Brasil, a frota antiga, a falta de capacitação dos operadores
e a negligência com regulagem e manutenção dos equipamentos ainda são gargalos
da colheita. Um dinheiro que é, literalmente, jogado fora.
A ideia da peça é originalmente do pai de Valéria, Heverson
Lazaretti, que é produtor em Cafeara numa área de sete alqueires.
Ele percebeu que a plataforma de sua colheitadeira, do ano
de 2005, não segurava totalmente as espigas.
Valéria então abraçou a ideia do pai, estudou e aperfeiçoou
a peça ao longo de seis meses, e atingiu resultados bem significativos.
"Meu pai tinha notado o problema do equipamento, já que
as espigas não caiam para dentro da máquina, mas iam direto para o chão.
Aperfeiçoamos a peça dele, reajustamos todos os ângulos necessários e, na
prática, os números foram bem interessantes", salienta.
Pelo levantamento da estudante, realizado numa área vizinha
à propriedade da família, o resultado da colheita saltou de 178 sacas por
alqueire para 192 sacas por alqueire, um incremento de 7,3% na produtividade.
Se a saca fosse entregue numa cooperativa por um valor médio
de R$ 22, representaria um incremento na receita de R$ 3.916 para R$ 4.224.
O produtor deixaria de perder, portanto, R$ 308 por
alqueire.
"Aqui na minha região, a grande maioria dos pequenos
produtores tem colheitadeiras mais antigas, algo bem comum no Brasil. Ou seja,
elas não contam com auxílios de diminuição de perdas da plataforma. Acho que as
empresas que desenvolvem colheitadeiras ainda não pensam muito no pequeno
produtor. Por outro lado, a preocupação mundial com o fornecimento de alimentos
é muito grande. Por isso que acho que meu trabalho deu toda essa
repercussão", comenta a universitária.
VIÁVEL
O estudo foi apresentado na conferência internacional pelo
professor em Economia e Empreendedorismo da Unoeste e orientador de Valéria,
Alexandre Godinho Bertoncello.
O trabalho "Apanhador de Espigas para Reduzir as Perdas
na Plataforma de Milho" chamou tanta atenção, que Godinho recebeu
propostas de convênio do México, Nigéria, Gana e França, todos interessados em
patrocinar o projeto.
A expectativa do professor é que para a próxima safra a
peça, que está sendo patenteada, já esteja sendo comercializada no Brasil.
"Temos um mercado bastante interessante para ser
explorado, já que cerca de 80% dos produtores brasileiros utilizam plataformas
antigas. A realidade da colheita no Brasil é muito parecida com outros países
do mundo e por isso a tecnologia que desenvolvemos chamou tanta atenção",
explica ele.
Fonte: Folha de Londrina


