Ameaça de paralisação nacional a partir de segunda mexeu com
consumidores e empresas nos últimos dias
A ameaça de uma greve nacional de caminhoneiros a partir de
segunda-feira fez muitos londrinenses procurarem os postos de combustíveis
ontem, com medo de ficarem desabastecidos na semana que vem.
A promessa de paralisação também fez com que supermercados
antecipassem compras. Já o Ceasa Londrina resolveu abrir amanhã para o caso de
os caminhões não chegarem por não poderem trafegar na segunda.
Comprador dos Supermercados Santarém, Nelson Posti diz que a
empresa resolveu antecipar nesta semana os pedidos que faria nos próximos 15
dias.
"A gente escuta tanta coisa sobre a greve. Isso causa
uma insegurança. Resolvemos antecipar compras, mas a mercadoria ainda não
chegou", afirma ele, ressaltando o risco de os produtos não chegarem no
início da semana devido à paralisação.
Os "rumores" sobre a greve fizeram o Ceasa abrir
as portas no domingo, o que nunca ocorre. A unidade funciona as
segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras.
Maurílio Bonin, comprador de um dos boxs que ficam no local,
diz que "ninguém sabe o que vai acontecer". Por isso, os clientes
foram convocados para fazer as compras no domingo, quando há certeza que os
caminhões dos produtores conseguirão trafegar.
Apoiados por organizações como Revoltados Online, Movimento
Brasil Livre (MBL), e Vem Pra Rua, os caminhoneiros reivindicam a renúncia da
presidente Dilma Rousseff (PT).
Não há nenhuma entidade oficial liderando o movimento. Os
caminhoneiros se mobilizam por meio das redes sociais e do WhatsApp,
organizados por um movimento intitulado Comando Nacional do Transporte.
"Nossa pauta única é a renúncia da presidente",
afirma um dos líderes da greve no Paraná, o microempresário Juan Carlos
Babugia, de Maringá.
Dono de uma frota de quatro caminhões, ele diz que as
lideranças não pretendem negociar nada com o governo petista que não teria
atendido nenhuma das reivindicações da categoria na greve do início do ano.
"Nossa ideia é permanecer em greve até que a presidente
renuncie", afirma Babugia. Ele garante que a mobilização não "tem
partido" e nem sindicatos.
"Somos independentes", declara. O transportador
diz que a renúncia de Dilma é uma "bandeira da Nação brasileira".
"Há um descontentamento geral." De acordo com ele, além de bloquear a
passagem de caminhões nas rodovias, haverá "buzinaços" pelas ruas de
Maringá.
Babugia conta que o movimento não tem intenção de barrar
veículos de passeio e nem ônibus.
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de
Londrina (Sindicam-Londrina), Carlos Roberto Dela Rosa, ressalta que a entidade
não só não apoia a greve, como acredita que a maioria das pessoas que estão se
mobilizando não são da categoria. "Há muita gente infiltrada, com
interesses políticos, no WhatsApp", afirma.
Ele considera que "usar" os caminhoneiros para
pedir a saída da presidente é "sacrificar a categoria". "Estamos
passando por situação muito difícil e acho que sair pedindo o impeachment não
ajuda neste momento", afirma.
O sindicalista ressalta que, como cidadãos, ele tem o
direito de pedir a saída de Dilma, mas, como representante do sindicato, não.
Para Rosa, além das organizações sociais pró-impeachment, os
políticos da oposição estão por trás da greve.
"Não temos nada a ver com isso", afirma o
presidente do Sindicato das Empresas de Transporte do Paraná (Setcepar),
Gilberto Cantu, quando questionado sobre a posição da entidade em relação à
paralisação de segunda-feira.
"Eu acho que é mais uma greve política. Uma coisa
estranha, sem pauta de reivindicação, sem líderes. Os próprios sindicatos da
categoria são contra", declara.
Fonte: Folha de Londrina
Fonte: Folha de Londrina

