Guilherme Batista - Redação Bonde
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná
(APP-Sindicato) realiza uma assembleia na próxima terça-feira (9) para discutir
a nova proposta de reajuste salarial apresentada pelos deputados da base aliada
do governador Beto Richa (PSDB) na última quarta (3).
A direção estadual da entidade espera que o governo
oficialize os pontos apresentados pelos parlamentares e, também, desista da
ideia de descontar os dias parados dos cerca de 20 mil docentes que participam,
até então, da greve no estado.
Só assim, conforme a APP, os educadores poderiam votar pelo
fim da paralisação durante a assembleia.
Já o presidente do sindicato dos professores na região de
Londrina, Márcio André Ribeiro, afirmou que o núcleo ainda não reconheceu a
proposta apresentada pelos deputados como oficial.
"O documento formulado na quarta-feira foi assinado
pelo (Luiz Cláudio) Romanelli, líder do governo na Assembleia, e por outras
lideranças dos deputados. Não há a informação de que o governador ou seus
secretários concordaram com o que foi apresentado", argumentou em entrevista
ao Bonde nesta sexta-feira (5).
Ribeiro contou que a APP ainda espera o governador ou algum
secretário estadual se manifestar sobre a proposta.
"A iniciativa deve ser tomada por algum representante
do governo. Eles precisam formular um documento com todas as cláusulas de
negociação, incluindo a não punição aos grevistas pelos dias parados",
destacou.
Na avaliação do professor, se o poder público não fizer isso
até a próxima terça-feira, os docentes não terão a segurança necessária para
discutir a proposta durante a assembleia. "A obrigação jurídica e legal de
dialogar e negociar com os servidores é do governo", observou.
A proposta apresentada pelos deputados na quarta-feira prevê
reajuste salarial de 3,45% a ser pago em outubro deste ano, e um cronograma
detalhado para o pagamento das demais perdas do funcionalismo no decorrer dos
próximos três anos (clique aqui para conferir os demais pontos do que foi
apresentado).
De acordo com Ribeiro, a proposta "é pífia, muito ruim
e gera um prejuízo financeiro enorme aos salários dos professores".
Ele adiantou,
entretanto, que os docentes podem ceder caso a iniciativa seja oficializada
pelo governo.
"A gente pode ceder, mas é preciso que fique claro que
quem desrespeita a lei de forma intransigente é o governador", completou,
destacando que o poder público descumpre as leis da data-base e do piso
nacional do magistério quando deixa de repor os salários dos servidores.
...
Ana Seres admite não descontar as faltas de professores em
greve
A secretária de Educação do Paraná, Ana Seres Comin, admitiu
que o governo pode deixar de descontar os dias parados dos professores em greve
desde que eles retornem ao trabalho.
“A proposta do governo é o retorno imediato à escola na
próxima semana. E para tanto, as faltas dos meses de maio e junho não serão
descontadas. Nós faremos um calendário para cada unidade escolar de acordo com
a realidade se houve paralisação total ou parcial. As faltas do mês de abril já
foram lançadas, já estão no sistema, mas posteriormente nós poderemos abrir
novamente o diálogo, porque vamos continuar dialogando com o sindicato”, garantiu
Ana Seres nesta quinta-feira, 4.


