Produção de tomate a partir do uso de alta tecnologia pode
render bons frutos para quem tem capital para investir
Mesmo garantindo em certos períodos um bom retorno
financeiro, produzir tomate sempre foi um desafio para os agricultores.
Além de ser sensível a diversas pragas e doenças, o fruto
também é muito suscetível às condições climáticas desfavoráveis como temporais,
geadas e veranicos.
Uma alternativa encontrada por muitos produtores para
blindar esses problemas tem sido a produção em estufas.
Esse sistema de produção não é novo, mas as tecnologias
inseridas neste modelo têm revolucionado a cadeia produtiva.
Além de proteger plantas e frutos de pragas, a estufa
permite que o produtor garanta o fornecimento de tomate o ano todo, já que o
fruticultor tem a possibilidade de controlar o clima da lavoura.
O produtor André Carioba, em parceria com dois sócios,
iniciou em sua propriedade, localizada no município de São Sebastião da
Amoreira (Norte), a produção de tomate em estufa. O investimento deu certo, e o
trio já colhe bons frutos.
Carioba afirma que a produção em estufas garante uma safra
de alta qualidade com um bom rendimento para o agricultor.
O produtor usa o sistema de fertirrigação, com uma
tecnologia importada de Israel. No processo de irrigação, além da água, são
depositados adubos e fertilizantes pelo canal de escoamento do gotejo.
O investimento deu muito certo, tanto é que fazenda fornece
produtos para grandes redes de supermercados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste
do País, além de redes de fast food. Para conquistar esse mercado, além de
tecnologias de infraestrutura, Carioba investiu em variedades com alto
potencial produtivo.
Com um total de 125 estufas, cada uma contendo 3 mil m², o
agricultor tem uma produtividade de 25 quilos por m².
Para efeito de comparação, uma estufa normal produz entre 8
e 10 quilos por m². "O nosso potencial se deve à alta tecnologia,
treinamento dos funcionários e o uso de variedades adequadas", salienta
Carioba.
Para garantir um nicho de mercado, toda a produção de
tomates é feita sem uso de agrotóxico, fator que, segundo Carioba, tem provocado
um aumento na demanda.
Há anos trabalhando com pecuária, Alexandre Turquino também
descobriu na produção de tomates sem agrotóxico uma oportunidade de negócio
devido à alta demanda do mercado. Para conseguir produzir sem a aplicação de
defensivos agrícolas, ele teve que optar pelo uso de uma estufa com alta
tecnologia. A estrutura francesa também é à base de fertirrigação e foi trazida
de Israel, um dos países pioneiros no uso desta tecnologia.
Turquino ainda não começou a plantar, mas já está em fase de
conclusão da construção da estufa que ficará em sua propriedade na região de
Londrina, onde também cria gado de corte. "O mercado tem necessidade de
produtos sem agrotóxico.
O meu produto não será orgânico, mas livre de
defensivos", explica o futuro fruticultor. Com a estufa, Turquino pode
garantir frutos o ano todo, já que toda a ambiência da lavoura é controlada por
computador.
O produtor explica que a irrigação por gotejamento fornecerá
para as plantas a quantidade adequada de água e de insumos que elas necessitam.
Ele acrescenta que a temperatura é outro fator importante
que determina o bom desenvolvimento do tomateiro.
"Nosso propósito é manter a temperatura interna, seja
no verão ou no inverno, em torno de 27°C. É claro que não conseguiremos isso em
dias muito quentes ou muito frios, mas sempre encontraremos um
equilíbrio", explica o produtor.
Entrar nesse mercado requer dedicação e investimento alto.
Turquino desembolsou para a construção da estufa, em média, R$ 280 por m². Ao
todo, sua área de plantio é de 12 mil m².
A semeadura deverá
começar em breve, com um total estimado em 25 mil plantas. "Depois de mais
ou menos 45 dias a lavoura começará a dar frutos", comemora o produtor.
Tanto Turquino, quanto Carioba, vendem para mercados
específicos, garantindo a eles uma certa estabilidade na hora da negociação.

