sábado, 7 de fevereiro de 2015

Negócio em expansão

Produção de tomate a partir do uso de alta tecnologia pode render bons frutos para quem tem capital para investir
Mesmo garantindo em certos períodos um bom retorno financeiro, produzir tomate sempre foi um desafio para os agricultores.
Além de ser sensível a diversas pragas e doenças, o fruto também é muito suscetível às condições climáticas desfavoráveis como temporais, geadas e veranicos.
Uma alternativa encontrada por muitos produtores para blindar esses problemas tem sido a produção em estufas.
Esse sistema de produção não é novo, mas as tecnologias inseridas neste modelo têm revolucionado a cadeia produtiva.
Além de proteger plantas e frutos de pragas, a estufa permite que o produtor garanta o fornecimento de tomate o ano todo, já que o fruticultor tem a possibilidade de controlar o clima da lavoura.
O produtor André Carioba, em parceria com dois sócios, iniciou em sua propriedade, localizada no município de São Sebastião da Amoreira (Norte), a produção de tomate em estufa. O investimento deu certo, e o trio já colhe bons frutos.
Carioba afirma que a produção em estufas garante uma safra de alta qualidade com um bom rendimento para o agricultor.
O produtor usa o sistema de fertirrigação, com uma tecnologia importada de Israel. No processo de irrigação, além da água, são depositados adubos e fertilizantes pelo canal de escoamento do gotejo.
O investimento deu muito certo, tanto é que fazenda fornece produtos para grandes redes de supermercados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, além de redes de fast food. Para conquistar esse mercado, além de tecnologias de infraestrutura, Carioba investiu em variedades com alto potencial produtivo.
Com um total de 125 estufas, cada uma contendo 3 mil m², o agricultor tem uma produtividade de 25 quilos por m².
Para efeito de comparação, uma estufa normal produz entre 8 e 10 quilos por m². "O nosso potencial se deve à alta tecnologia, treinamento dos funcionários e o uso de variedades adequadas", salienta Carioba.
Para garantir um nicho de mercado, toda a produção de tomates é feita sem uso de agrotóxico, fator que, segundo Carioba, tem provocado um aumento na demanda.
Há anos trabalhando com pecuária, Alexandre Turquino também descobriu na produção de tomates sem agrotóxico uma oportunidade de negócio devido à alta demanda do mercado. Para conseguir produzir sem a aplicação de defensivos agrícolas, ele teve que optar pelo uso de uma estufa com alta tecnologia. A estrutura francesa também é à base de fertirrigação e foi trazida de Israel, um dos países pioneiros no uso desta tecnologia.
Turquino ainda não começou a plantar, mas já está em fase de conclusão da construção da estufa que ficará em sua propriedade na região de Londrina, onde também cria gado de corte. "O mercado tem necessidade de produtos sem agrotóxico.
O meu produto não será orgânico, mas livre de defensivos", explica o futuro fruticultor. Com a estufa, Turquino pode garantir frutos o ano todo, já que toda a ambiência da lavoura é controlada por computador.
O produtor explica que a irrigação por gotejamento fornecerá para as plantas a quantidade adequada de água e de insumos que elas necessitam.
Ele acrescenta que a temperatura é outro fator importante que determina o bom desenvolvimento do tomateiro.
"Nosso propósito é manter a temperatura interna, seja no verão ou no inverno, em torno de 27°C. É claro que não conseguiremos isso em dias muito quentes ou muito frios, mas sempre encontraremos um equilíbrio", explica o produtor.
Entrar nesse mercado requer dedicação e investimento alto. Turquino desembolsou para a construção da estufa, em média, R$ 280 por m². Ao todo, sua área de plantio é de 12 mil m².
 A semeadura deverá começar em breve, com um total estimado em 25 mil plantas. "Depois de mais ou menos 45 dias a lavoura começará a dar frutos", comemora o produtor.
Tanto Turquino, quanto Carioba, vendem para mercados específicos, garantindo a eles uma certa estabilidade na hora da negociação.