Agência Estado
Felipão chamou de "inferno" a peregrinação da
seleção pelo Brasil nesta Copa das Confederações. Referia-se ao assédio do
torcedor a todo instante, aos pedidos que chegam à comissão técnica e aos
mandos e desmandos do COL (Comitê Organizador Local) e da Fifa. Também reclamou
que seu time não tem um lugar fixo para treinar, uma casa, e que isso provoca
desgastes e dificuldades.
"Em 2002 era fácil porque era fora do Brasil. Aqui é um
inferno. O grande problema do Brasil na Copa é ter a competição no país. Era
muito mais fácil jogar lá fora", disse o treinador no programa "Bem,
Amigos!", da TV Globo.
Ao lado de Parreira, Felipão também condenou as condições
oferecidas ao grupo, como os ônibus com vidros escuros, impedindo um contato
melhor com o torcedor. "Não fomos nós que pedimos um ônibus com vidros
escuros, em que o torcedor não consegue sequer dar um ''tchau'' para os jogadores.
Essa condição nos foi imposta", disse Parreira, que na segunda-feira
ressaltou à reportagem a importância de o elenco se aproximar da torcida como
aconteceu no Estádio Presidente Vargas, com quase 5 mil torcedores em
Fortaleza.
Felipão foi o primeiro a pedir que o povo brasileiro
abraçasse a seleção. Ele pretende "mudar" algumas regras do COL e da
Fifa para estreitar esse relacionamento de agora em diante. Muito provavelmente
seus treinos deverão ser abertos - não todos -, mas pelos menos um deles, e com
a participação maior do público nos locais. No Presidente Vargas, a torcida
demorou a entrar e pôde ver os jogadores não mais que 30 minutos.
A comissão técnica espera com ansiedade pelas reformas da
Granja Comary, no Rio, onde pretende se fechar com o elenco para a Copa do
Mundo. "Precisamos ter uma casa para treinar e assim conseguir trabalhar
melhor. Aí, não tem melindres."
O técnico tratou de deixar bastante claro que não é ele o
grande vilão dessa história em relação à parceria do torcedor nos treinos da
seleção. "O público pensa que são os membros da seleção que fecham o
treino. Não é verdade. Somos muitas vezes obrigados a fechar. A Fifa exige, o
COL exige. Gosto de liberar nas vésperas de jogos para todos, porque acho
absurdo assistir só à roda de bobinhos dos 15 minutos inicias. Às vezes tem
campeões do mundo assistindo ao treino e eles vão embora aos 15 minutos?".
Ele disse que já fez um pedido para a Fifa a fim de liberar
mais treinos em 2014. Ele gostaria até de deixar nas mãos dos torcedores a
decisão de ver os trabalhos da seleção no começo ou no fim dos treinos.
"Nós preferimos no final, para o torcedor ver o trabalho que está sendo
feito", disse Parreira. Felipão só teme que esse assédio acabe em
confusão. Contou que neste treino de segunda, Lucas pediu a ele para atirar sua
camisa aos torcedores, mas o pedido foi negado por ele. "Eu disse não,
porque se ele vai lá, atira a camisa e dá uma confusão, alguém cai e se
machuca, ainda seremos responsabilizados por isso. Não podemos assumir esse compromisso."

