Acusado por petistas de não controlar a Polícia Federal, o
ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirma que essas críticas são
injustas. Ele conta também que, já no ano passado, sugeriu à presidente Dilma Rousseff
que o tirasse do cargo.
Cardozo assume ter perdido amigos e ganhado inimigos à
frente da pasta. Ele até admite que o ex-presidente Lula possa não gostar dele.
"Se você quer, na vida política, se comportar dentro
dos princípios do Estado de Direito, se prepare para ter inimigos e perder
amigos".
Mas o sr. acha injusto esse tipo de crítica?
Ele nunca fez essa crítica direta. Vejo muitas especulações.
Mas Lula tem todo o direito de não gostar de mim. Só não posso dizer quais são
razões. Aliás, soube através de amigos que quando ele era presidente e eu deputado
ele elogiou minhas ações.
Fossem essas críticas, se alguém criticar o sr. pela atuação
na comissão ou no Ministério da Justiça, acha que ela é válida ou injusta?
Para que possa fazer uma autocrítica, tenho que saber de que
me acusam. É muito comum dizer "não gostei porque você não controla a
PF". Se a crítica é que não controlo a PF, desculpe, ela é injusta. O que
é controlar a PF? Seria impedir que ela fizesse as investigações com liberdade,
seria orientar investigações? Isso não faço mesmo e não acho um defeito. É uma
virtude, um dever. Não controlar é não punir abusos? Qualquer abuso que me
chegou, tomei as medidas corretas. Não me parece que tem qualquer procedência
essa crítica.
O sr. acha que serve de anteparo para não baterem na Dilma?
Não somos anteparos. Respondo pelo que faço. Claro que
presto contas à presidente. Posso até errar. Mas atuo estritamente dentro dos
princípios que sempre defendi inclusive como petista. Como petista, sempre
defendi o Estado de Direito. Como petista, sempre defendi a ética na política.
Como petista, sempre defendi que investigações não devam ser jamais orientadas
pelos governos. Acho que concorro estritamente dentro do que acredito e defendi
como militante petista.
O ex-ministro Tarso Genro defende a refundação do partido.
Desde 2005, a minha corrente, Mensagem ao Partido, defende a
refundação. Fui candidato a presidente do PT duas vezes defendendo essa tese.
Hoje, deixei de atuar dentro das instâncias partidárias porque não posso na
condição de ministro. Quando deixar o Ministério darei minha contribuição de
militante. Temos problemas que devem ser objeto de correção.
Há petistas que, para sustentar críticas ao sr., alegam que
Thomaz Bastos soube controlar melhor a PF. O sr. vê alguma diferença nisso?
Não vejo diferença de comportamento. Sim, de conjuntura. Até
porque ele foi um dos grandes responsáveis pela PF autônoma. Lula sempre
incentivou isso. Houve um momento em que o irmão de Lula teve uma busca e
apreensão em sua casa. E Lula fez uma declaração de grande estadista: que como
presidente respeitava a PF.
MINISTRO INVESTIGOU AMIGO DE LULA
Cardozo integrou uma comissão interna do PT nos anos 90 que
investigou um amigo de Lula, o advogado Roberto Teixeira, suspeito de ajudar
uma empresa a obter contratos com prefeituras petistas.
A comissão o considerou culpado, mas ele recorreu ao
diretório nacional do PT e foi absolvido.
Lula morou num imóvel de Teixeira por oito anos.
As acusações vieram do fundador do PT Paulo de Tarso
Venceslau, que rompeu com a sigla em 1998. À época, Lula disse que Venceslau
falava "asneiras".

