sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ex-prefeito é indiciado por estelionato em Londrina

Guilherme Batista - Redação Bonde
O ex-prefeito e ex-vereador de Londrina, Gérson Araújo (PSDB), foi indiciado por estelionato, pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por irregularidades registradas na venda de um terreno localizado em frente ao Autódromo Internacional Ayrton Senna, na zona norte da cidade, para a construtora Iguaçu do Brasil.
No inquérito, enviado pelo Gaeco ao Ministério Público (MP) na última semana, foram indiciados Araújo e o ex-assessor parlamentar dele, William Polaquini Godoy. 
Carlos Alberto Oliveira, dono da Iguaçu, que responde a processos por conta de fraudes registradas na construção de diversos empreendimentos em Londrina, já havia sido indiciado pelo Gaeco em 2013 por conta da negociação fraudulenta.
Em entrevista ao Bonde na manhã desta sexta-feira (23), o delegado do Gaeco, Alan Flore, explicou que as investigações envolvendo Araújo tiveram início no ano passado, após o órgão receber uma análise feita pela Corregedoria-Geral da prefeitura referente às fraudes cometidas pela Iguaçu. 
"Em outubro de 2012, a família proprietária da área em questão, que negociava a venda do local com a Iguaçu, foi procurada pelo William Godoy, então chefe de gabinete de Gérson Araújo (prefeito à época). Em uma ligação, o assessor disse para a família que a prefeitura tinha interesse de construir uma Vila Olímpica no terreno, e estimulou os proprietários a venderem o local para evitar um possível processo de desapropriação", explicou Flore.
Segundo o delegado, o então chefe de gabinete atuou de forma decisiva para convencer a família a vender a área para a Iguaçu. 
 "O interessante é que não existia nenhum projeto, por parte da Prefeitura de Londrina, para o referido terreno", observou.
O outro ponto investigado pelo Gaeco ocorreu em março de 2013, quando Gérson Araújo, reeleito vereador nas eleições de 2012, confeccionou um requerimento no Legislativo que previa a desapropriação da área adquirida pela Iguaçu. 
"O documento, que sequer foi apresentado na Câmara de Vereadores, foi utilizado pela construtora para fazer pressão contra a família que havia sido proprietária do terreno e, consequentemente, continuar com a construção de unidades habitacionais no referido local", contou Alan Flore.
Ainda conforme o delegado, o requerimento confeccionado por Araújo foi usado pela Iguaçu como prova em uma ação judicial movida contra a família que era dona da área. 
"O ex-vereador reconheceu a sua assinatura no documento, mas não explicou o que motivou a sua confecção", acrescentou.
Tanto Araújo quanto Godoy foram ouvidos pelo Gaeco por conta dos fatos investigados. 
Os dois, conforme Flore, apresentaram "versões desconexas" em depoimento, e não conseguiram justificar os atos tomados. 
"Embora não tenha ficado comprovada a ligação dos dois com a Iguaçu, é possível constatar que a ação praticada por eles foi determinante para que a família vendesse o terreno para a construtora", argumentou. 
O delegado disse, ainda, que não conseguiu identificar se Araújo e o ex-assessor receberam algum tipo de vantagem indevida da empresa.
Outro lado
Ao Bonde, Gérson Araújo disse que ainda não foi intimado oficialmente sobre o indiciamento. 
Já sobre o requerimento citado pelo delegado do Gaeco, o ex-vereador confirmou que assinou o documento, mas não o apresentou no Legislativo por achá-lo "sem sentido nenhum". 
"A minha equipe recebeu a demanda, fez o requerimento e eu assinei. No entanto, sempre fazia uma revisão de todos os documentos e esse não foi protocolado", alegou.
Segundo o tucano, alguém, que ele não soube informar quem, entrou na sua sala escondido e "tirou um xerox do requerimento". "Essa pessoa vai ser identificada e acionada na Justiça pelo meu advogado", ressaltou.
Já sobre o contato feito pelo ex-assessor com a família proprietária do terreno da zona norte, Araújo confirmou a conversa, mas alegou que a "senhora dona da área" procurou William Godoy e não o contrário. 
"Ele me contou que disse a ela que a prefeitura poderia fazer alguma coisa na área, mas não houve negociação alguma. Não sei se a senhora se confundiu durante a conversa...", argumentou, acrescentando que as provas do Gaeco são muito "chochas" para embasar uma acusação "tão séria".
O ex-vereador garantiu, ainda, que não possui nenhuma relação com a Iguaçu do Brasil. 
"Não tem nada a ver. Nunca tive contato com ninguém da empresa. Só ouvi falar dela pela imprensa, e muito mal inclusive", disse.
A reportagem também tentou contato com o ex-assessor de Araújo, mas o celular dele estava desligado.