Theo Marques - Folha de Londrina
Condenados em primeira instância, Luiz Cláudio Romanelli e
Nereu Moura continuarão nos cargos e informaram que vão recorrer ao Tribunal de
Justiça
Curitiba – Em decisão proferida na semana passada, mas
tornada pública somente ontem, o juiz Roger Vinicius Pires de Camargo Oliveira,
da 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, condenou os deputados Luiz Cláudio
Romanelli (PMDB) e Nereu Moura (PMDB), pela contratação de funcionários
"fantasmas" na liderança do partido no início do ano 2000.
Entre eles estaria Elza Chrispim Calixto, que aparece como
"funcionária fantasma" da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná,
entre os anos de 2000 e 2001.
Conforme a acusação do Ministério Público, Elza trabalhava
como doméstica para a família do senador Roberto Requião (PMDB), mas foi
registrada como funcionária fantasma no gabinete da liderança da legenda na AL.
Como a decisão é de primeira instância, os dois parlamentares vão recorrer.
Romanelli, líder do governo na Casa, negou as acusações e
ressaltou que seu envolvimento se deu de forma indevida no processo.
Ele foi condenado à suspensão dos direitos políticos por
oito anos, perda da função pública e ressarcimento integral do ano.
"Sou inocente e não ocupava nenhuma função pública na
época dos fatos, não era nem deputado. Obviamente é uma decisão provisória na
medida que cabe recurso ao Tribunal de Justiça.
No âmbito do processo criminal, o próprio Ministério Público
considerou que faltava justa causa sobre a minha atuação e me excluiu da ação
penal", disse.
O deputado ainda disse que acredita que seu nome foi citado
na ação por causa de sua relação com o chefe do gabinete do PMDB na época dos
fatos, Paulo Gomes Jr. "Tenho convicção que, ao término da análise por uma
câmara colegiada, o resultado da decisão será revertido. Não participei de
forma direta ou indireta desse assunto."
Já Nereu Moura foi condenado à suspensão dos direitos
políticos por dez anos, perda da função pública e devolução do prejuízo aos
cofres públicos.
"Vou recorrer ao Tribunal de Justiça e tenho esperança
que a decisão possa ser revista. Não tem como manter uma decisão absurda, então
fico tranquilo", disse.
Segundo o deputado, uma perícia pedida por ele, e autorizada
pela Justiça, demonstrou que a assinatura no ofício de nomeação da funcionária
demonstrou que a assinatura não era dele.
Ele ainda destacou que quando ficou sabendo da funcionária
"fantasma" afirmou que a exonerou.

