A deflagração da Operação Lava-Jato, em março do ano
passado, não foi suficiente para acabar com o esquema de pagamentos de propina
na Petrobras e nas subsidiárias.
A afirmação é do procurador Carlos Fernando Lima, do
Ministério Público Federal (MPF), ao comentar o período de ação dos suspeitos
investigados na nona fase da operação, apelidada de My Way. Ele diz que a
corrupção não acabou.
“Eu diria que vai até a data de hoje. É muito recente”,
disse Carlos Fernando, da equipe de procuradores e delegados que integra a
Lava-Jato.
O objetivo da apuração era levantar provas sobre a ação de
11 operadores e de 25 empresas que fecharam negócios com a Diretoria de
Engenharia da Petrobras, muitos de forma independente.
A tese da investigação é que os contratos foram obtidos
mediante pagamento de propina. Da mesma forma, os delegados e os procuradores
apuram a relação da empresa Arxo, com sede em Piçarras (SC), e a BR
Distribuidora.
A empresa fechou contrato de R$ 85 milhões com a BR
Distribuidora para fornecer 80 caminhões de abastecimento de aviões.
A suspeita é que a empresa pagou suborno em troca de
informações privilegiadas para obter contratos com a BR, segundo o delegado
regional de Combate ao Crime Organizado do Paraná, Igor de Paula Romário.
Os advogados da Arxo negaram irregularidades. A Polícia
Federal ainda procura o operador Mário Góes, do Rio de Janeiro, cujo mandado de
prisão preventiva ainda não foi cumprido.
O delegado Carlos Fernando disse ao Correio que esse
operador atuou tanto para a Arxo, na BR Distribuidora, quanto para outros
“clientes” na Diretoria de Serviços.
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US$ 200 milhões de propina para o PT
Em delação premiada à Justiça Federal, o ex-gerente de
Serviços da estatal Pedro Barusco disse que o PT recebeu, de 2003 a 2013, entre
US$ 150 milhões e US$ 200 milhões de propina sobre os 90 maiores contratos para
obras, como a da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e da Repar, no Paraná.
Segundo Barusco, pelo menos US$ 50 milhões passaram pelas
mãos do atual tesoureiro do partido, João Vaccari Neto (foto).
Barusco também afirmou que numa negociação Vaccari recebeu
em nome de seu partido US$ 4,5 milhões de um estaleiro.
O esquema de suborno teria funcionado até fevereiro do ano
passado. Vaccari foi intimado ontem para depoimento à Polícia Federal, em São
Paulo.
Como se recusou a abrir a porta para os agentes, eles
pularam o muro da casa dele para cumprir mandado de busca e apreensão de
documentos e conduzi-lo coercitivamente (à força).
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Inflação sobe 1,24% em janeiro, a mais alta desde 2003
A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 1,24em janeiro, depois de avançar 0,78% em
dezembro do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
Essa foi a taxa mais alta desde fevereiro de 2003, quando
ficou em 1,57%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 7,14%, acima do teto
da meta do governo para o IPCA, que é de 6,5%.
Em janeiro de 2014 a taxa havia ficado em 0,55%. A
expectativa do mercado para o IPCA deste ano subiu para 7,01% na última semana.
Foi a quinta alta seguida na estimativa do mercado
financeiro para a inflação de 2015, segundo boletim Focus, do Banco Central.
Se confirmada, a taxa de 7,01% será a maior desde 2004,
quando ficou em 7,6%, ou seja, a mais alta em 11 anos.
Com isso, a estimativa do mercado para o IPCA de 2015 segue
acima do teto do sistema de metas.



