Suspeito de fraudes em licitação, prefeito dispara contra
maioria dos parlamentares
Durou quatro horas e meia o depoimento do prefeito afastado
de São Jerônimo da Serra (Região Metropolitana de Londrina), Adir dos Santos
Leite (PSDB), aos integrantes da Comissão Processante (CP) que apura o suposto
envolvimento dele nas fraudes em licitação e desvios de dinheiro dos cofres
municipais.
É a primeira vez que o prefeito rebate as acusações de que
seria o líder de "uma organização criminosa na cidade", conforme
denúncia criminal feita pelo Ministério Público (MP) do Paraná, com base na
operação Sucupira, deflagrada no mês de agosto.
O tucano, que havia faltado à sessão de segunda-feira,
quando foram ouvidas apenas duas testemunhas arroladas pela defesa em outro
procedimento investigatório, utilizou boa parte do tempo, ontem, para disparar
contra a maioria dos parlamentares.
A CP tem como objeto a apuração de irregularidades nos
contratos da prefeitura com o empresário Odirlei Nigra, dono de um supermercado
e de um posto de combustíveis. Adir negou problemas nos pagamentos.
De acordo com Adir, a maioria dos vereadores estaria sob
suspeição para investigá-lo, o que impediria a sequência dos trabalhos.
O advogado de Adir, Mauricio Carneiro, afirmou que o
relator, vereador Sidney Navarro (PT), "tem falado claramente sobre a
cassação, inclusive tem uma vídeo em que ele concede entrevista dizendo que
está tudo encaminhado para a cassação do Adir".
O advogado informou que vai à Justiça com mandado de
segurança, contra a CP. "O relator afirmando que vai cassar antes do devido
processo, gera nulidade", disse Carneiro.
Durante a sessão na Câmara, a defesa questionou a suspeição
dos vereadores para conduzirem a investigação, mas os parlamentares deliberaram
pela improcedência do pedido e seguirão no procedimento.
Adir acusou, também, o presidente da Câmara, Alfredo
Bernardo (PP). O pepista teria feito ligações telefônicas pedindo dinheiro à
cúpula da prefeitura, com Adir no comando.
"A única ligação que ele apresentou", disse
Alfredo, "foi uma vez que eu liguei para ele cobrando o pagamento do
pintor que fez o serviço na escola indígena, algo em torno de R$ 1 mil, que ele
prometeu pagar do próprio bolso".
Para o presidente da Casa, "o prefeito está tentando
mudar o foco".
A reportagem não conseguiu falar com o vereador Sidney Navarro.
HISTÓRICO
Depois da operação Sucupira, quando foram cumpridos pelo
Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) mais de 50
mandados de busca e apreensão e de prisão
em São Jerônimo e mais sete cidades, o MP denunciou 39 pessoas,
entre vereadores, secretários municipais e familiares de Adir à Justiça por
corrupção.
O prefeito, pelo foro privilegiado, foi denunciado ao
Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Mesmo afastado do cargo, o tucano segue
recebendo o salário (R$ 10 mil).
Fonte: Folha de Londrina

