O mecânico Carlos Rodrigues de Souza colocou o réptil em
vidro com álcool: mais conhecido agora como "homem da cobra"
Uma visita inesperada na madrugada de ontem, no Jardim
Laranjeiras, zona leste de Londrina, fez o mecânico Carlos Rodrigues de Souza,
de 42 anos, acordar mais cedo que de costume.
Por volta das 4 horas, ele ainda dormia quando sentiu que
algo gelado lhe percorria o peito. Ao abrir os olhos, a surpresa nada
agradável: uma cobra-coral de 60 centímetros a poucos centímetros dos olhos.
Com uma reação instintiva, Souza jogou o bicho contra a
parede e correu para a sala. O socorro veio da guardiã inseparável, a cachorra
Belinha.
A pinscher, um focinho maior que a cobra, entrou embaixo da
cama e trouxe o réptil quase morto entre os dentes. Em seguida, o mecânico
terminou o serviço prensando a cobra entre o pé da cama e a parede.
Depois, Souza soube que se tratava de uma falsa coral, não
venenosa. "Infelizmente, não tinha como saber na hora. Preferi não pagar
para ver", justificou-se.
Souza, que mora ao lado do Ecoponto do Jardim Monte Cristo,
lembrou que há 10 anos encontrou uma cobra-verde em casa e acionou a Polícia
Ambiental para capturá-la.
"Era uma situação diferente, sabia que não corria
riscos. Desta vez fiquei com medo de expor as crianças, inclusive",
comparou, referindo-se aos dois filhos.
Na manhã de ontem, a oficina do Carlão, como é mais
conhecido no bairro, ficou cheia de curiosos que queriam ver a cobra, que foi
colocada em um vidro com álcool.
"Agora ele está mais conhecido como homem da
cobra", brincou a esposa Maura Souza, relembrando o susto pela madrugada.
O cabo da Polícia Ambiental, Valério Aparecido Constantino,
alertou que a morte de um animal silvestre deve sempre ser evitada para que a
pessoa não incorra em crime ambiental. Segundo ele, a recomendação é sempre se
afastar e acionar a Polícia Ambiental.
O militar explica que o verão é o período de maior
ocorrência de cobras e lagartos nas áreas urbanas, onde os bichos procuram
alimentos e abrigo para as chuvas típicas desta época do ano.
Com a diminuição da área do habitat dos animais silvestres,
os aparecimentos nas cidades se tornam mais frequentes. Na madrugada desta
quinta-feira, a Polícia Ambiental capturou um jacaré de 1,5 metro em uma
chácara na estrada das Três Figueiras, na zona norte de Londrina.
O animal foi levado na tarde de ontem para ser solto em uma
reserva nativa próxima ao Rio Paraná, na divisa entre Paraná e Mato Grosso do
Sul.
SERVIÇO
Em casos de ocorrências com animais silvestres, a orientação
é acionar a Polícia Ambiental pelo telefone: (43) 3341-7733.

